Dicas de Viagem
Ziplock no aeroporto: entenda a regra dos líquidos antes de viajar
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Você vai pegar um voo internacional e ouviu falar que precisa colocar seus líquidos num saquinho transparente — o famoso "ziplock". Mas, ao contrário do que muita gente pensa, essa não é uma exigência exclusiva do Aeroporto de Guarulhos: é uma regra de segurança da aviação civil aplicada, com variações, em aeroportos de diversos países.
A regra existe por um motivo de segurança: líquidos, géis e aerossóis em grandes volumes já foram usados em tentativas de atentado contra aeronaves, e por isso a aviação civil internacional passou a limitar a quantidade que pode ser levada na bagagem de mão. No Brasil, essa limitação é definida pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) por meio da Resolução nº 515/2019, em linha com padrões da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).
Na prática, a regra funciona assim: cada frasco de líquido, gel, creme, pasta ou aerossol pode ter no máximo 100 ml — e frascos com capacidade acima de 100 ml não podem ir na bagagem de mão, mesmo que estejam parcialmente cheios.
Todos os frascos dentro do limite devem ser acomodados juntos em uma única embalagem plástica transparente, que possa ser fechada (vedada), com capacidade máxima de 1 litro e tamanho de até 20 cm x 20 cm. Segundo a ANAC, embalagens no estilo "ziplock" são aceitas, mas não são obrigatórias — qualquer saco plástico transparente e vedável que atenda a essas medidas serve.
A regra no Brasil permite apenas uma embalagem desse tipo por passageiro, que deve ser retirada da bagagem e apresentada separadamente na inspeção de raio-X.
Essa exigência, no Brasil, vale para voos internacionais (incluindo trechos domésticos que façam parte de um itinerário internacional) e para passageiros que embarcam por salões destinados a voos internacionais. Voos totalmente nacionais, em geral, não têm essa mesma restrição de embalagem — mas vale sempre confirmar com a companhia aérea e o aeroporto de origem, já que procedimentos locais podem variar.
Fora do Brasil, o princípio é parecido, mas os números e critérios não são universais. Nos Estados Unidos, a TSA (Transportation Security Administration) aplica a chamada regra "3-1-1": frascos de até 3,4 onças (100 ml), todos dentro de 1 saco transparente de até 1 litro, por passageiro. Na União Europeia, o padrão também costuma ser de 100 ml por frasco em um saco transparente de até 1 litro — mas alguns aeroportos já instalaram scanners de última geração (tomografia computadorizada) que dispensam essa limitação, permitindo recipientes maiores sem necessidade do saquinho. Esse avanço ainda não é padrão em todos os aeroportos: grandes hubs como Paris, Madri, Atenas e Lisboa, por exemplo, mantêm a regra tradicional de 100 ml. Por isso, o mais seguro é sempre confirmar a regra do aeroporto específico de onde você vai embarcar, não apenas do país.
Em conexões internacionais, vale lembrar que você pode passar por uma nova inspeção de segurança antes de embarcar no próximo voo — e essa nova inspeção pode reaplicar o limite de 100 ml, mesmo para itens que já passaram pela primeira inspeção.
Compras feitas em lojas duty free depois da inspeção de segurança costumam vir em uma embalagem lacrada especial (conhecida como STEB, sigla em inglês para "saco de segurança inviolável"), com o recibo da compra visível — nesses casos, é possível levar líquidos acima de 100 ml. Mas, se o seu itinerário incluir uma conexão com nova inspeção de segurança, esse produto lacrado pode ser reavaliado. Vale guardar o recibo e evitar abrir a embalagem antes do destino final.
Existem exceções à regra dos 100 ml. Medicamentos líquidos essenciais podem ser levados em quantidade maior, desde que o passageiro consiga comprovar a necessidade — com receita médica, declaração ou a própria embalagem identificada do produto.
Leite materno, fórmulas infantis, papinhas e outros líquidos para alimentação de bebês, além de líquidos necessários para dietas especiais, também costumam ficar fora do limite de 100 ml, desde que a quantidade seja compatível com a duração da viagem. Esses itens devem ser declarados e apresentados separadamente na inspeção.
Afinal, o que precisa ir no ziplock? Na dúvida, separe todo produto líquido, em gel, cremoso ou em aerossol. Veja, item por item, o que normalmente se enquadra na regra:
- Perfume: entra na regra — frascos de até 100 ml podem ir no ziplock; acima disso, não embarca na bagagem de mão.
- Shampoo e condicionador: contam como líquidos comuns; o limite vale pela capacidade do frasco, não pela quantidade de produto dentro dele.
- Creme e gel: cremes e géis, de uso facial ou corporal, também entram na regra dos 100 ml.
- Pasta de dente: é considerada um gel para fins da regra — bisnagas pequenas (até 100 ml) vão no ziplock normalmente.
- Protetor solar: líquidos e loções de proteção solar seguem o mesmo limite de 100 ml por frasco.
- Maquiagem líquida, base e gloss: produtos líquidos ou cremosos de maquiagem entram na regra.
- Desodorante: desodorantes líquidos, roll-on ou em creme contam como líquido; os desodorantes em bastão sólido, em geral, ficam fora da regra.
- Álcool em gel: por ser um gel, segue o limite de 100 ml por frasco — vale também para os pequenos frascos de bolso.
- Medicamentos líquidos: podem ultrapassar 100 ml mediante comprovação (ver exceção acima), mas o ideal é apresentá-los junto com o restante na inspeção.
- Solução para lentes de contato: é tratada como líquido comum e entra no limite de 100 ml por frasco.
- Outros cosméticos (sérum, tônico, removedor de maquiagem): qualquer produto líquido, cremoso ou em gel segue a mesma lógica — frasco de até 100 ml, dentro do saco transparente.
Alguns exemplos práticos ajudam a tirar dúvidas comuns:
Perfume de 100 ml: pode ser transportado no ziplock normalmente, desde que o frasco tenha exatamente até 100 ml de capacidade.
Shampoo de 200 ml: mesmo que já tenha sido usado e reste pouco produto dentro, a capacidade do frasco (200 ml) ultrapassa o limite — por isso, não pode ir na bagagem de mão, mesmo "quase vazio". Nesse caso, a opção é despachar o item na bagagem de porão.
Pasta de dente: segue a mesma lógica dos géis — bisnagas de até 100 ml vão no ziplock; bisnagas maiores precisam ir na bagagem despachada.
Garrafa de água: pode passar vazia pela inspeção de segurança sem problema, mas não pode estar cheia ao passar pelo raio-X. Depois da inspeção, já dentro da área restrita do aeroporto, costuma ser permitido enchê-la em bebedouros ou comprar água para consumo na aeronave.
E em Guarulhos? O Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos (GRU), por concentrar boa parte dos voos internacionais que saem do Brasil, costuma ser onde mais passageiros brasileiros têm o primeiro contato com essa regra — mas, como vimos, a exigência não é uma criação do aeroporto, e sim a aplicação da norma da ANAC.
Em agosto de 2025, Guarulhos reforçou a fiscalização dessa regra no terminal de voos internacionais, o que gerou filas mais longas e surpreendeu parte dos passageiros que não estavam acostumados a apresentar os líquidos separadamente em saco lacrado. A exigência em si não era nova — já estava prevista na Resolução ANAC nº 515/2019 — mas passou a ser cobrada de forma mais rigorosa.
O aeroporto também está em processo de modernização dos equipamentos de segurança, com novos scanners doados pelos Estados Unidos (via TSA) sendo instalados gradualmente no Terminal 3, em parceria com a ANAC — um processo parecido com o que já acontece em alguns aeroportos europeus. Enquanto essa transição não é concluída em todos os terminais, a regra tradicional dos 100 ml segue valendo em Guarulhos.
Outros aeroportos: a mesma lógica se aplica a outros aeroportos internacionais, no Brasil e no exterior — a regra de base costuma ser parecida (100 ml por frasco, um saco transparente por passageiro), mas os detalhes de fiscalização, os equipamentos usados e o rigor da inspeção variam de aeroporto para aeroporto. Em conexões, o mais importante é observar as regras do próximo ponto de controle de segurança, que pode ter critérios diferentes do aeroporto de origem.
Checklist antes de sair de casa:
- Separar líquidos, géis e aerossóis de todos os produtos de higiene e beleza
- Conferir o tamanho de cada recipiente (máximo 100 ml por frasco)
- Colocar os itens numa embalagem transparente e vedável, de até 1 litro
- Separar medicamentos líquidos e, se necessário, levar receita ou declaração médica
- Confirmar as regras específicas do aeroporto de origem e, se houver conexão, do próximo aeroporto
- Verificar possíveis restrições adicionais da companhia aérea
Essas regras podem mudar com o tempo — novos equipamentos de segurança e atualizações da ANAC ou de outras autoridades podem alterar os limites no futuro. Por isso, o melhor caminho é sempre confirmar as condições atualizadas antes de cada viagem. Se você vai viajar com a ALAVI, já incluímos essas orientações no planejamento do seu roteiro, para que a parte burocrática não tire o seu foco do que realmente importa: aproveitar a viagem.
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